domingo, 29 de maio de 2011

O FILHO PRÓDIGO



É possível que de todas as parábolas de Jesus, esta seja a mais incompreendida, por que nos vemos sempre no lugar do filho que ficou, nunca do que partiu.
Como um filho que abandonou tudo e seguiu sua vida, cometeu seus erros e certamente pagou por eles, pode ser recebido com festas, como se fosse o rei voltando ao trono?
Não, não poderemos compreender tanto que nosso coração estiver focalizado na condição humana e nas supostas injustiças da vida. Não poderemos compreender tanto que nos consideramos como seres perfeitos, que nunca saíram da linha e nunca necessitaram de braços abertos que o recebam e o perdão de um coração sincero.
Só a vida nos ensina certas coisas. Só mais tarde, sendo pais, tendo filhos, diferentes, mas todos descendentes de igual medida, é que podemos entender que desenvolvemos nosso cuidado segundo a necessidade de cada filho.
Não é a criança doente que carece de mais atenção? Não é ao lado dela que passamos a noite toda, verificando se tudo vai bem? A possibilidade de perder o que quer que seja, nos aproxima dessa mesma coisa, como uma tentativa de agarrá-la. Sabemos que o filho que dorme no outro quarto e que vai bem não merece menos atenção e por ele nosso coração pede cada dia ao Pai para que permaneça assim, que seja guardado das doenças e dos maus caminhos.
Um filho que escolhe outros caminhos da vida, não é um filho que se perde. É um filho que seguiu outra estrada. E cada dia os pais pensam e esperam. E se ele volta, que seja festa sim, que se cante e que se ria, por que o que estava perdido, finalmente foi achado.
Somos todos, sem exceção possível, filhos pródigos de Deus.
Escolhemos um caminho aqui, retomamos ali, voltamos, Ele nos acolhe e no dia seguinte partimos de novo. E a cada retorno é uma nova festa, por que Deus tem os braços abertos e Ele não pergunta por onde andamos e nem o que fizemos, Ele pensa simplesmente: meu filho amado voltou!

                                                            Letícia Thompson

Pensamento do dia: " Levante todos aqueles que estiverem caidos ao seu redor. Você não sabe onde seus pés tropeçarão"(André Luiz)

sexta-feira, 27 de maio de 2011

O DEVER


        O dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros. O dever é a lei da vida: encontramo‑lo nos mínimos detalhes, como nos atos mais elevados. Quero falar aqui somente do dever moral, e não do que se refere às profissões.
        Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de ser cumprido, porque se encontra em antagonismo com as seduções do interesse e do coração. Suas vitórias não têm testemunhas, e suas derrotas não sofrem repressão.
       O dever íntimo do homem está entregue ao seu livre‑arbítrio: o aguilhão da consciência, esse guardião da probidade interior, o adverte e sustenta, mas ele se mostra freqüentemente impotente diante dos sofismas da paixão.
       O dever do coração, fielmente observado, eleva o homem. Mas como precisar esse dever? Onde ele começa? Onde acaba?
       O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo, e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos.
   Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um pese judiciosamente o mal que pode fazer. Não existe o mesmo critério para o bem, que é infinitamente mais variado nas suas expressões. A igualdade em relação à dor é uma sublime previsão de Deus, que quer que os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não cometam o mal, desculpando‑se com a ignorância dos seus efeitos.
      O dever é o resumo prático de todas as especulações morais. É uma intrepidez da alma, que enfrenta as angústias da luta. É austero e dócil, pronto a dobrar‑se às mais diversas complicações, mas permanecendo inflexível diante de suas tentações.
  O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais que as criaturas, e as criaturas mais que a si mesmo; é a um só tempo, juiz e escravo na sua própria causa.
  O dever é o mais belo galardão da razão; ele nasce dela, como o filho nasce da mãe. O homem deve amar o dever, não porque ele o preserve dos males da vida, aos quais a humanidade não pode subtrair‑se, mas porque ele transmite à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
    O dever se engrandece e esplende, sob uma forma sempre mais elevada, em cada uma das etapas superiores da humanidade. A obrigação moral da criatura para com Deus jamais cessa, porque ela deve refletir as virtudes do Eterno, que não aceita um esboço imperfeito, mas deseja que a grandeza da sua obra resplandeça aos seus olhos.

     O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XVII

Pensamento do dia: "A questão mais aflitiva para o Espírito no Além é a consciência do tempo perdido" (Chico Xavier)

quarta-feira, 25 de maio de 2011

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PENSAMENTOS PODEM SER MUDADOS

Pare um pouco e pergunte-se: quais são os seus pensamentos dominantes frente aos acontecimentos? Não para se acusar ou se culpar, mas simplesmente para tomar consciência dos seus pensamentos e verificar se eles ajudam você a viver feliz.
Tenha uma certeza: nós temos uma imensa capacidade de mudar o mundo e nossas vidas com os nossos pensamentos.
Se você, como eu, tem um jardim, sabe como tratá-lo: a gente prepara o terreno, aduba, semeia, rega, tira as ervas daninhas. A natureza se encarrega do resto. Com a vida é a mesma coisa: quando você limpa a mente de todos os pensamentos negativos, e lança as sementes de pensamentos positivos, aquilo que você pensa germina maravilhosamente.
Se conseguíssemos nos concentrar no momento presente, tomaríamos as providências necessárias para resolver os problemas que se apresentam. Mas deixamos que nossa mente fique ocupada por pensamentos de culpa e auto-acusação ligados ao passado, ou por pensamentos aflitivos sobre o que pode acontecer no dia ou na semana seguinte. Esses pensamentos não constroem nada, apenas nos enfraquecem.
Quando entendemos que os nossos pensamentos controlam a nossa vida, e que a única coisa que temos que controlar é a nossa maneira de pensar, adquirimos um poder que é quase milagroso. Esta consciência nos dá enormes possibilidades para melhorar a qualidade de nossas vidas e nos libertar do medo.
E lembre-se: "O medo, assim como todas as outras coisas em que acreditamos, são somente pensamentos, e pensamentos podem ser mudados".
                                                                                          Louise Hay


Pensamento do dia:

segunda-feira, 23 de maio de 2011

PRECISA DE AJUDA? 

  
     
         Os Espíritos Amigos sempre mostram disposição de nos auxiliar, mas é preciso que, pelo menos, lhes ofereçamos uma base...
         Muitos irmãos encarnados ficam na expectativa do socorro do Alto, mas não querem nada com o esforço de renovação; querem que os espíritos se intrometam na sua vida e resolvam seus problemas... 
         Ora, nem Jesus Cristo, quando veio à Terra, se propôs resolver o problema particular de alguém...
         Ele se limitou a nos ensinar o caminho, que necessitamos palmilhar por nós mesmos.
                              
                                               Chico Xavier

Pensamento do dia: " Os momentos de dificuldade são necessários para questionarmos o nosso propósito de vida, o que realmente importa, para fortalecermos o nosso ser e encontrarmos a realização plena" (Desconheço o autor)

quinta-feira, 19 de maio de 2011

POEMA PARA DEUS


 
Um dia, a alma desperta e se encanta com a manhã que se espreguiça no horizonte.
Sente-se como que a pairar acima e além da escala humana.
Então, se recorda ser filha de um Pai amoroso e bom. Recorda de um Criador que a tudo para todos provê.
E plena de gratidão, extravasa em versos sua alma:
Deus, Inteligência das inteligências, Causa das causas, Lei das leis, Princípio dos princípios, Razão das razões, Consciência das consciências.
Bem tinha razão Isaac Newton ao descobrir-se, toda vez que pronunciava Vosso nome.
Deus, Pai bondoso, eu Vos encontro na natureza, Vossa filha e nossa mãe.
Eu Vos reconheço, Senhor, na poesia da criação, no vento que dedilha harmonias na cabeleira das árvores.
Nas cores que se apresentam tão diversificadas em matizes e gradações.
Nas águas que rolam silentes em córregos minúsculos, nas cachoeiras que se lançam, ruidosas, de alturas consideráveis, no verdor da grama que atapeta o jardim e as praças.
Reconheço-Vos, Pai, na flor dos jardins e pomares, na relva dos vales, no matiz dos campos, na brisa dos prados.
Senhor, eu Vos encontro no perfume das campinas, no murmúrio das fontes, no rumorejo das menores ramificações das copas das árvores.
Também Vos descubro na música dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na amplidão dos oceanos, na majestade do firmamento.
Eu Vos vejo, Senhor, na criança que sorri, brinca, pula e distribui alegrias, provocando risos.
Eu Vos reconheço, Pai, no ancião que anda lento, que tropeça. Mas, sobretudo, na inteligência que ele revela, resultado de suas experiências bem vividas.
Eu Vos descubro no mendigo que implora, na mão que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui, no Apóstolo que evangeliza.
Deus! Reconheço-Vos no amor da esposa, no afeto do filho, na estima da irmã, na misericórdia indulgente.
E Vos encontro, Senhor, na fé do que a tem, na esperança dos povos, na caridade dos bons, na inteireza dos íntegros.
Reconheço-Vos, Senhor, na inspiração do poeta, na eloquência do orador, na criatividade do artista.
Também Vos encontro na sabedoria do filósofo, na intelectualidade do estudioso, nos fogos do gênio!
E estais ainda nas auroras polares, no argênteo da lua, no brilho do sol, na fulgência das estrelas, no fulgor das constelações.
Deus! Reconheço-Vos na formação das nebulosas, na origem dos mundos, na gênese dos sóis, no berço das humanidades, na maravilha, no esplendor, no sublime do Infinito!
Por fim, entendo, com Jesus, quando ora:
Pai nosso, que estais nos céus...
Ou com os anjos quando cantam: Glória a Deus nas alturas...
              Poema de Eurípedes Barsanulfo,
             do livro “O homem e a missão”,
       publicado no site www.momento.com.br

Pensamento do dia: " Comece o dia na luz da oração, pois o amor de Deus nunca falha. Aceite qualquer dificuldade sem discutir" (André Luiz)

terça-feira, 17 de maio de 2011

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O AMOR É HUMILDE

 
O amor não é imponente. Como a água, ele é humilde e não pode ser estancado.
O amor não tenta consertar o mundo todo. Basta plantarmos sementes de benevolência e justiça em todos os lugares que pudermos.
Eu nunca olho para as massas como sendo de minha responsabilidade. Eu olho para o indivíduo. Eu só posso amar uma pessoa de cada vez. Só posso alimentar uma pessoa de cada vez. Somente uma, só uma... Assim eu começo.
Eu curei uma pessoa - talvez, se eu não tivesse curado essa única pessoa, eu não teria curado quarenta e duas mil.
Todo esse trabalho não passa de uma gota no oceano. Mas, se eu não tivesse colocado essa gota, o oceano estaria com uma gota a menos.
O mesmo acontece com você, com a sua família, com a comunidade onde você vive. Basta começar... uma, mais uma e mais uma.
                                                                                    Madre Teresa de Calcutá

Pensamento do dia: " No final de nossas vidas não seremos julgados pelos muitos diplomas que recebemos, por quanto dinheiro ganhamos ou por quantas grandes coisas realizamos. Seremos julgados pelo 'Eu tive fome e você me deu de comer. Estava nú e você me vestiu. Eu não tinha casa e você me abrigou" (Madre Teresa de Calcutá)

domingo, 15 de maio de 2011

CAMELOS TAMBÉM CHORAM

             Primavera no deserto de Gobi, sul da Mongólia.
Uma família de pastores nômades assiste ao nascimento de filhotes de camelo.
A rotina é quebrada com o parto difícil de um dos camelinhos albinos.
A mãe, então, o rejeita.
O filho ali, branquinho, mal se sustentando sobre as pernas, querendo mamar e ela fugindo, dando patadas e indo acariciar outro filhote, enquanto o rejeitado geme e segue inutilmente a mãe na seca paisagem.
A família mongol e os vizinhos tentam forçar a mãe camela a alimentar o filho. Em vão.
Só há uma solução, diz alguém da família. Mandar chamar o músico. E o milagre começou musicalmente a acontecer.
Dois meninos montam agilmente seus camelos, numa aventura até uma vila próxima, tentando encontrar o músico.
É uma vila pobre, mas já com coisas da modernidade, motos, televisão, e, na escola de música, dentro daquele deserto, jovens tocam instrumentos e dançam, como se a arte brotasse lindamente das pedras.
O professor de música, qual um médico de aldeia chamado para uma emergência, viaja com seu instrumento de arco e cordas para tentar resolver a questão da rejeição materna.
Chega. E ali no descampado, primeiro coloca o instrumento com uma bela fita azul sobre o dorso da mãe camela. A família mongol assiste à cena.
Um vento suave começa a tanger as cordas do instrumento. A natureza por si mesma harpeja sua harmônica sabedoria. A camela percebe. Todos os camelos percebem uma música reorde-nando suavemente os sentidos.
Erguem a cabeça, aguçam os ouvidos e esperam. A seguir, o músico retoma seu instrumento e começa a tocá-lo. A dona da camela afaga o animal e canta.
E, enquanto cordas e voz soam, a mãe camela começa a acolher o filhote, empurrando-o docemente para suas tetas. E o filhote, antes rejeitado e infeliz, vem e mama, mama, desesperadamente feliz.
Enquanto se alimenta e a música continua, acontece então um fato impressionante.
Lágrimas desbordam umas após outras dos olhos da mãe camela, dando sinais de que a natureza se reencontrou a si mesma, a rejeição foi superada, o afeto reuniu num todo amoroso os apartados elementos.

*   *   *
Nós, humanos olhamos estarrecidos, enquanto que os mongóis constatam, apenas, mais um exercício de sua milenar sabedoria.
Os antigos falavam da terapêutica musical. Casos de instrumentos que abrandavam a fúria, curavam a surdez, a hipocondria e saravam até a mania de perseguição.
E nós, da era da tecnologia, da comunicação instantânea, dos avanços científicos jamais sonhados... E nós?  O que sabemos dessas coisas?
Coisas que os camelos já sabem, que os mongóis já vivem. Coisas dos sentimentos, coisas do coração. O que sabemos nós?
Será que sabíamos que os camelos também choram?

                                             Texto do site www.momento.com.br


Pensamento do dia: " Quem não tem tudo o que ama, deve amar tudo o que tem" (Pitágoras)