sexta-feira, 11 de novembro de 2011

O POTE RACHADO

         Um carregador de água na Índia levava dois potes grandes, ambos pendurados em cada ponta de uma vara, a qual ele carregava atravessada em seu pescoço.
Um dos potes tinha uma rachadura, enquanto o outro era perfeito e sempre chegava cheio de água no fim da longa jornada entre o poço e a casa do chefe; o pote rachado chegava apenas pela metade.
Foi assim por dois anos, diariamente, o carregador entregando um pote e meio de água na casa de seu chefe.
         Claro, o pote perfeito estava orgulhoso de suas realizações. Porém, o pote rachado estava envergonhado de sua imperfeição e sentindo-se miserável por ser capaz de realizar apenas a metade do que ele havia sido designado a fazer.
Após perceber que por dois anos havia sido uma falha amarga, o pote falou para o homem, um dia a beira do poço.
- Estou envergonhado, e quero pedir-lhe desculpas.
- Por que? Perguntou o homem. - De que você está envergonhado?
- Nesses dois anos eu fui capaz de entregar apenas a metade da minha carga, porque essa rachadura no meu lado faz com que a água vaze por todo o caminho, até a casa de seu senhor. Por causa do meu defeito, você tem que fazer todo esse trabalho, e não ganha o salário completo dos seus esforços. - disse o pote.
O homem ficou triste pela situação do velho pote, e com compaixão falou:
- Quando retornarmos para a casa de meu senhor, quero que percebas as flores ao longo do caminho.
De fato, à medida que eles subiam a montanha, o velho pote rachado notou flores selvagens ao lado do caminho, e isto lhe deu certo ânimo. Mas, ao fim da estrada, o pote ainda se sentia mal porque tinha vazado a metade, e de novo pediu desculpas ao homem por sua falha.
Disse o homem ao pote:
- Você notou que pelo caminho só havia flores no seu lado. Eu ao conhecer o seu defeito, tirei vantagem dele. E lancei sementes de flores no seu lado do caminho, e cada dia enquanto voltávamos do poço, você as regava. Por dois anos eu pude colher estas lindas flores para ornamentar a mesa de meu senhor. Sem você ser desse jeito que você é, ele não poderia ter esta beleza para dar graça a sua casa.
Conclusão:
    Cada um de nós tem seus nossos próprios e únicos defeitos. Todos nós somos potes rachados. Porém, se permitirmos, o Senhor vai usar estes nossos defeitos para embelezar sua mesa. Na grandiosa economia de Deus, nada se perde. Nunca deveríamos ter medo dos nossos defeitos. Se os reconhecermos, eles poderão causar beleza. Das nossas fraquezas, podemos tirar forças.

Pensamento do dia: " Toda vez que criticamos a experiência dos outros, estamos identificando em nós mesmos, os pontos fracos que precisamos modificar em nossas próprias existências" (André Luiz).

domingo, 6 de novembro de 2011

O MÉDICO E SUAS ÁRVORES

         Tempos atrás, eu era vizinho de um médico, cujo "hobby" era plantar árvores no enorme quintal de sua casa. Às vezes, observava da minha janela o seu esforço para plantar árvores e mais árvores, todos os dias.
         O que mais chamava a atenção, entretanto, era o fato de que ele jamais regava as mudas que plantava. Passei a notar, depois de algum tempo, que suas árvores estavam demorando muito para crescer.
         Certo dia, resolvi então aproximar-me do médico e perguntei se ele não tinha receio de que as árvores não crescessem, pois percebia que ele nunca as regava. Foi quando, com um ar orgulhoso, ele me descreveu sua fantástica teoria.
         Disse-me que, se regasse suas plantas, as raízes se acomodariam na superfície e ficariam sempre esperando pela água mais fácil, vinda de cima. Como ele não as regava, as árvores demorariam mais para crescer, mas suas raízes tenderiam a migrar para o fundo, em busca da água e das várias fontes de nutrientes encontradas nas camadas mais inferiores do solo.  Assim, segundo ele, as árvores teriam raízes profundas e seriam mais resistentes às intempéries.
         Disse-me ainda, que freqüentemente dava uma palmadinha nas suas árvores, com um jornal enrolado, e que fazia isso para que se mantivessem sempre acordadas e atentas.   Essa foi a única conversa que tive com aquele meu vizinho. Logo depois, fui morar em outro país, e nunca mais o encontrei.
         Vários anos depois, ao retornar do exterior fui dar uma olhada na minha antiga residência. Ao aproximar-me, notei um bosque que não havia antes. Meu antigo vizinho, havia realizado seu sonho!
         O curioso é que aquele era um dia de um vento muito forte e gelado, em que as árvores da rua estavam arqueadas, como se não estivessem resistindo ao rigor do inverno.  Entretanto, ao aproximar-me do quintal do médico, notei como estavam sólidas as suas árvores: praticamente não se moviam, resistindo implacavelmente àquela ventania toda.
         Que efeito curioso, pensei eu... As adversidades pela qual aquelas árvores tinham passado, levando palmadelas e tendo sido privadas de água, pareciam tê-las beneficiado, de um modo que o conforto e o tratamento mais fácil jamais conseguiriam.
         Todas as noites, antes de ir me deitar, dou sempre uma olhada em meus filhos. Debruço-me sobre suas camas e observo como têm crescido. Freqüentemente, oro por eles. Na maioria das vezes, peço para que suas vidas sejam fáceis: "Meu Deus, livre meus filhos de todas as dificuldades e agressões desse mundo"...
         Tenho pensado, entretanto, que é hora de alterar minhas orações. Essa mudança tem a ver com o fato de que, é inevitável que os ventos gelados e fortes nos atinjam e aos nossos filhos. Sei que eles encontrarão inúmeros problemas e que, portanto, minhas orações para que as dificuldades não ocorram, têm sido ingênuas demais. Sempre haverá uma tempestade, ocorrendo em algum lugar.
         Portanto, pretendo mudar minhas orações. Farei isso porque, quer nós queiramos ou não, a vida não é muito fácil. Ao contrário do que tenho feito, passarei a orar para que meus filhos cresçam com raízes profundas, de tal forma que possam retirar energia das melhores fontes, das mais divinas, que se encontram nos locais mais remotos.
         Oramos demais para termos facilidades, mas na verdade o que precisamos fazer é pedir para desenvolver raízes fortes e profundas, de tal modo que quando as tempestades chegarem e os ventos gelados soprarem, resistiremos bravamente, ao invés de sermos subjugados e varridos para longe.

                                             Bernard Smith

Pensamento do dia: " Devemos agradecer todas as dificuldades que enfrentamos; não fosse por elas, eu não teria saido do lugar. As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito" (Chico Xavier).

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

O FIO DE ARANHA
     
         Segundo uma antiga lenda hindú, Kandata, o facínora, tendo expirado sem mostras de arrependimento, foi pela imutável Justiça atirado à região sombria dos eternos suplícios.
         Durante muitos séculos suportou indiferente os tormentos do inferno. Um dia, porém, o seu coração empedernido foi tocado por um tênue raio de luz de arrependimento. Ajoelhou-se e implorou, em prece fervorosa, a proteção misericordiosa do Senhor da Compaixão.
         No mesmo instante, surgiu-lhe a figura radiosa de um anjo, que lhe disse:
        - O Senhor da Compaixão ouviu a prece humilde que acabas de proferir. E aqui estou para salvar-te dos castigos tenebrosos do inferno.
-Ó Kandata!, no decorrer de tuas vidas anteriores, houve dia que tiveste assistido a uma boa  ação tua, por mais pequena que fosse? Ela te ajudaria, agora, livrando-te dos tormentos que, sem tréguas, te afligirão. Mas nunca espere por ver cessados os sofrimentos atuais, conseqüências do teu passado, se conservares ainda a impureza da vaidade, da luxúria e da inveja. Dize-me ó Kandata!, se queres sair daqui, qual foi, acaso, o ato de bondade em vida que praticaste?
- Pelo Deus de Misericórdia!   exclamou Kandata, cheio de profunda humildade e tristeza ... jamais pratiquei em minha vida passada qualquer ato digno ou louvável. A minha existência foi um rosário interminável de crimes infâmes de toda espécie!
- Kandata! , continuou o anjo,  procura rememorar detalhadamente todas as ações do teu negro passado! Basta um ato verdadeiramente bom de tua parte, um só para que obtenhas o perdão de Deus! Alguma vez socorreste com esmola o desprotegido da sorte?
- Nunca! , murmurou Kandata, com voz sucumbida.
- Algum dia , prosseguiu o anjo,  tiveste uma palavra de consolo ou de bondade para os aflitos e desesperados?
- Nunca.
- Não te moveram, uma só vez, à piedade, os enfermos, nem dispensaste qualquer proteção aos fracos e infelizes?
- Nunca!,  soluçava Kandata, com o desespero dos arrependidos.
- E para os animais, nossos irmãos inferiores? , insistiu ainda o anjo, trataste com crueza, impiedosamente, todos os seres fracos do mundo?
- Deus seja louvado! , exclamou Kandata,  lembro-me de que, certa vez, ao atravessar um bosque vi uma pequenina aranha que procurava esconder-se sob a relva. "Não pisarei esta pobre aranha", pensei "porque é fraca e inofensiva". Desviei o passo afim de poupar a vida ao mísero e tímido animalzinho. Teria sido esta uma ação agradável aos olhos do Criador?
- Feliz que és, Kandata , respondeu o anjo,  esse pequeno ato de bondade que acabas de recordar é, sem dúvida, suficiente para salvar-te do inferno;  e é a própria aranha do bosque que, em breve, te proporcionará , pela vontade divina , o meio único de salvação. Da altura infinita do céu, a aranhazinha vai lançar-te um fio; por ele poderás subir até o seio do Onipotente!
          E, isto, dizendo, o ajo desapareceu.
         Quase no mesmo instante viu Kandata, com grande assombro, que um fio de aranha descia das alturas divinas até ao fundo do abismo negro que o torturava. Aquele fio, de enganadora fraqueza, representava para ele a salvação, a tão sonhada ventura! Estaria, para sempre, livre dos suplícios indizíveis do inferno!
         Sem hesitar, Kandata agarrou-se a ele e começou a subir. Sentiu desde logo que o fio - pela vontade do Onipotente - era forte e lhe sustentava perfeitamente o peso do corpo, que balançava no espaço.
         De repente, porém, em meio da escalada, lembrou-se o bandido de olhar para baixo e notou que os seus companheiros de infortúnio procuravam também, à porfia, salvar-se da região dos tormentos, subindo pelo mesmo fio.
         Com certeza não poderá tão delgado fiozinho suportar o peso dessa gente toda , pensou Kandata apavorado.
E, instigado pelo terrível egoísmo, desejando apenas a própria liberdade, sem lhe importar a desgraça alheia , gritou para os infelizes que já se  agarravam, como penca infernal, ao fio salvador:
         -Larguem, miseráveis! Larguem, que este fio é só meu!
         No mesmo instante partia-se o fio da aranha e Kandata era para sempre restituído às profundezas em que tanto sofrera tão duros castigos!
         O fio salvador forte bastante para levar ao céu milhares de criaturas arrependidas de seus crimes, rompera-se ao sofrer o peso do egoísmo que a maldade insinuara em um coração.

    do livro "Lendas do deserto", de Malba Tahan

Pensamento do dia: " Tudo o que pudermos fazer no bem, não devemos adiar. Carecemos somar esforços criando, digamos, uma energia dinâmica que se anteponha às forças do mal...ninguém tem o direito de se omitir" (Chico Xavier).

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

O CACHORRINHO DIFERENTE


Um menino pergunta o preço dos filhotes à venda.
- "Entre 30 e 50 dólares", respondeu o dono da loja.
O menino puxou uns trocados do bolso e disse:
- "Eu só tenho 2,37 dólares, mas eu posso ver os filhotes?"
O dono da loja sorriu e chamou Lady, que veio correndo, seguida de cinco bolinhas de pêlo. Um dos cachorrinhos vinha mais atrás, mancando de forma visível.
Imediatamente o menino apontou aquele cachorrinho e perguntou:
- "O que é que há com ele?"
O dono da loja explicou que o veterinário tinha examinado e descoberto que ele tinha um problema na junta do quadril, sempre mancaria e andaria devagar.
O menino se animou e disse:
- "Esse é o cachorrinho que eu quero comprar!"
O dono da loja respondeu:
- "Não, você não vai querer comprar esse. Se você realmente quiser ficar com ele, eu lhe dou de presente."
O menino ficou transtornado e, olhando bem na cara do dono da loja, com o seu dedo apontado, disse:
- "Eu não quero que você o dê para mim. Aquele cachorrinho vale tanto quanto qualquer um dos outros e eu vou pagar tudo. Na verdade, eu lhe dou 2,37 dólares agora e 50 centavos pôr mês, até completar o preço total."
O dono da loja contestou:
- "Você não pode querer realmente comprar este cachorrinho. Ele nunca vai poder correr, pular e brincar com você e com os outros cachorrinhos."
Aí, o menino abaixou e puxou a perna esquerda da calça para cima, mostrando a sua perna com um aparelho para andar. Olhou bem para o dono da loja e respondeu:
- "Bom, eu também não corro muito bem e o cachorrinho vai precisar de alguém que entenda isso."

Muitas vezes desprezamos as pessoas com as quais convivemos diariamente, simplesmente por causa dos seus "defeitos", quando na verdade, somos tão iguais ou pior do que elas e sabemos que essas pessoas precisam apenas de alguém que as compreendam e as amem, não pelo que elas podem fazer, mas pelo que são. É difícil, mas não impossível.

Pensamento do dia: " Não permitas que pensamentos infelizes criem raizes em tua mente". (Scheilla)

sábado, 22 de outubro de 2011

A DOR DA PERDA


Analisemos alguns fatos importantes:
1 - Vivendo em um país de maioria cristã acreditamos na continuação da vida após a morte.
2 - Como pessoas inteligentes e observadoras, sabemos que, cada dia que passamos nos deixa mais próximo do plano espiritual. Em outras palavras, nós morremos um pouco a cada dia.
3 - Sem dúvida, caminhamos nesse mundo rumo à desencarnação. Porém, essa certeza e todos os conhecimentos já adquiridos pelo homem, nem sempre são suficientes para acalentar o coração frente a dor da perda de um ente querido.
Uma pergunta óbvia. Por que a morte do corpo físico é vista de forma tão dolorosa pela maioria das pessoas? A resposta é complexa, mas alguns pontos podem ser destacados.
Há um atavismo religioso importante, onde a morte é encarada como perda, como derrota, como fraqueza e não da forma verdadeira, ou seja, o retorno para a vida real, de onde nós saímos antes de reencarnar.
Engraçado pensar que a cada ciclo de nascimento e morte ocorrem situações diversas nos dois planos da vida. Senão vejamos: antes de renascer na Terra, vivemos em espírito no mundo espiritual, fizemos compromissos, planos, cultivamos amizades, amores etc.... No momento do nosso nascimento sentimos medo, insegurança, e todos os nossos amigos do plano espiritual se emocionam com a nossa vinda, antecipando a saudade da separação temporária. Na Terra é o inverso. Há festa, alegria, regozijo.
        Quando desencarnamos o contrário acontece. Os daqui choram e os de lá celebram.
Muito do sentimento de dor e perda vem do desconhecimento da vida espiritual. Porém, essa situação poderia ser rapidamente revertida se houvesse interesse real das pessoas em aprofundar-se em temas sobre os quais a doutrina espírita vem falando há décadas.
Quando a desencarnação nos afasta temporariamente de alguém querido, somos guiados pela dor e pelo medo da incerteza e isso nos mostra um futuro sem sentido, obscuro. A grande verdade, porém, é que podemos e devemos fazer diferente. Esse caminho não pode e não deve ser trilhado sozinho. É necessário a verdadeira humildade para encararmos, de frente, nossa dificuldade, e pedir ajuda. Ajuda a Deus, aos amigos, aos que amamos, expor de forma verdadeira e sincera as nossas angústias e aceitar ser ajudado.
Na prática clínica do dia a dia vemos pactos inconscientes de infelicidade entre os que ficaram e os que foram para o outro plano. É como se dissessem, porque você "morreu" não posso mais ser feliz. Outro fato digno de nota é que muitos sofrem calados, achando que os que estão ao seu lado, sofrem mais que ele e não suportariam mais esse sofrimento. Ledo engano. Nada é mais maldoso do que julgar as pessoas que estão ao nosso lado como incapazes de suportar conosco os problemas.


Muitas pessoas se culpam por enfraquecerem frente a esse tipo de sofrimento, como se isso fosse coisa de gente sem fé e sem conhecimento religioso. A verdade é que nesse combate diário pela nossa evolução espiritual, cada um luta com as armas (qualidades) que tem e manifesta as dificuldades de forma diferente.
"Conhecereis a verdade e ela vos libertará!", disse Jesus. Não tenha medo de enfrentar essa dificuldade, avance no crescimento espiritual, procure pessoas que possam te auxiliar, leia sobre o assunto, abra sua mente para um conhecimento que pode ser libertador. Não faça pactos com a tristeza. Lembre-se que acima de todos nós, Deus nos governa baseado nas leis do amor. Tudo está certo, na hora certa, do jeito certo. Se ainda não entendemos, isso só nos mostra o quanto somos ignorantes e pequenos. Mas o amor de Deus continua ao nosso alcance.
       Muita paz a todos!

                          Centro Espírita Bezerra de Menezes 

Pensamento do dia: " se seu pai já partiu dessa para outra morada e você nada fez por ele, não fique se culpando. Seja solidário, ajude um idoso em dificuldade e, talvez, na hora de agradecer, em tom amoroso, ele lhe diga - "Obrigado meu filho." (Autor desconhecido).

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O AMOR QUE FICA


Foi num hospital do câncer que essa lição foi dada. A menina tinha 11 anos e lutava, desde os 9 contra a insidiosa doença.
Nunca fraquejou. Chorava, sim, mas não fraquejava. Tinha medo em seus olhos, mas entregava o braço à enfermeira e com uma lágrima, dizia:
- Faça, tia, é preciso! E havia confiança e determinação no gesto e na fala.
Um dia, quando o médico a foi visitar no quarto do hospital, ela estava sozinha. Perguntou pela mãe. E ouviu a resposta que, diz ele, até hoje guarda, com profunda emoção:
- Tio, às vezes minha mãe sai do quarto para chorar escondido nos corredores. Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com muita saudade de mim. Mas eu não tenho medo de morrer. Eu não nasci para esta vida!
Pensando no que a morte representa para crianças que assistem seus heróis morrerem e ressuscitarem nos seriados e filmes, indagou o médico:
- E o que a morte representa para você, minha querida?
- Olha, tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do nosso pai e, no outro dia, acordamos no nosso quarto, em nossa própria cama, não é?
- É isso mesmo, concordou ele, lembrando o que fazia com suas filhas de 2 e 6 anos.
- Vou explicar o que acontece, continuou ela. Quando dormimos, nosso pai vem e nos leva nos braços para o nosso quarto.
Eu não nasci para esta vida! Um dia eu vou dormir e o Meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele, na minha vida verdadeira.
Que bela imagem! Que extraordinária lição desse Espírito encerrado num corpo tão jovem e sofrido.
O médico estava boquiaberto, não sabia o que dizer, ante tanta sabedoria.
Mas a menina não terminara ainda.
- Minha mãe vai ficar com muitas saudades minhas - emendou ela.
Com um travo na garganta, contendo uma lágrima e um soluço, o médico perguntou:
- E o que saudade significa para você, minha querida?
- Não sabe não, tio? Saudade é o amor que fica.
A menina já se foi, há muitos anos. Ainda hoje, quando o médico experimentado olha o céu e vê uma linda estrela, imagina ser ela, a sua pequena paciente, na sua nova e fulgurante casa. A casa do Pai.
*   *   *
Toda vez que a morte vier com seus braços frios e levar um dos nossos amores, pensemos que é o Pai que o envolve com ternura e o está levando para Sua casa.
O Pai que, com carinho, o vem buscar para estar com Ele, pois o ama muito.
E pensemos que logo mais poderemos ir também, pois todos os que nos encontramos na Terra seremos levados pelo Pai ao mundo espiritual.
Enquanto isso, cultivemos a doçura da saudade em nosso coração.
A saudade... O amor dos nossos amores que ficou...
                                         Redação do Momento Espírita

Pensamento do dia:" As dificuldades nos fortalecem, nos alimentam, para que possamos lutar a favor de nós mesmos".(Autoria desconhecida)

domingo, 16 de outubro de 2011

NINGUÉM ESTÁ SOZINHO


Após um naufrágio, o único sobrevivente agradeceu a Deus por estar vivo e ter conseguido se agarrar a parte dos destroços para poder ficar boiando.
Este único sobrevivente foi parar em uma pequena ilha desabitada e fora de qualquer rota de navegação, e ele agradeceu novamente.
Com muita dificuldade e restos dos destroços, ele conseguiu montar um pequeno abrigo para que pudesse se proteger do sol, da chuva, de animais e para guardar seus poucos pertences, e como sempre agradeceu.
Nos dias seguintes a cada alimento que conseguia caçar ou colher, ele agradecia.
No entanto um dia quando voltava da busca por alimentos, ele encontrou o seu abrigo em chamas, envolto em altas nuvens de fumaça.
Terrivelmente desesperado ele se revoltou, gritava chorando:
- "O pior aconteceu! Perdi tudo! Deus, por que fizeste isso comigo?"
Chorou tanto, que adormeceu, profundamente cansado.
No dia seguinte bem cedo, foi despertado pelo som de um navio que se aproximava.
- "Viemos resgata-lo", disseram.
- "Como souberam que eu estava aqui?", perguntou ele.
- "Nós vimos o seu sinal de fumaça"!

É comum sentirmo-nos desencorajados e até desesperados quando as coisas vão mal.  Mas Deus age em nosso benefício, mesmo nos momentos de dor e sofrimento.

Lembre-se: se algum dia o seu único abrigo estiver em chamas, esse pode ser o sinal de fumaça que fará chegar até você a Graça Divina.

Pensamento do dia:"  Jamais se desespere em meio às mais sombrias aflições de sua vida, pois, das nuvens mais negras cai água límpida e fecunda" (Provérbio Chinês).