terça-feira, 15 de março de 2011

     
 O DEVER


        O dever é a obrigação moral, primeiro para consigo mesmo, e depois para com os outros. O dever é a lei da vida: encontramo‑lo nos mínimos detalhes, como nos atos mais elevados. Quero falar aqui somente do dever moral, e não do que se refere às profissões.
        Na ordem dos sentimentos, o dever é muito difícil de ser cumprido, porque se encontra em antagonismo com as seduções do interesse e do coração. Suas vitórias não têm testemunhas, e suas derrotas não sofrem repressão.
        O dever íntimo do homem está entregue ao seu livre‑arbítrio: o aguilhão da consciência, esse guardião da probidade interior, o adverte e sustenta, mas ele se mostra freqüentemente impotente diante dos sofismas da paixão.
        O dever do coração, fielmente observado, eleva o homem. Mas como precisar esse dever? Onde ele começa? Onde acaba?
        O dever começa precisamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranqüilidade do vosso próximo, e termina no limite que não desejaríeis ver transposto em relação a vós mesmos.
    Deus criou todos os homens iguais para a dor; pequenos ou grandes, ignorantes ou instruídos, sofrem todos pelos mesmos motivos, a fim de que cada um pese judiciosamente o mal que pode fazer. Não existe o mesmo critério para o bem, que é infinitamente mais variado nas suas expressões. A igualdade em relação à dor é uma sublime previsão de Deus, que quer que os seus filhos, instruídos pela experiência comum, não cometam o mal desculpando‑se com a ignorância dos seus efeitos.
      O dever é o resumo prático de todas as especulações morais. É uma intrepidez da alma, que enfrenta as angústias da luta. É austero e dócil, pronto a dobrar‑se às mais diversas complicações, mas permanecendo inflexível diante de suas tentações.
  O homem que cumpre o seu dever ama a Deus mais que as criaturas, e as criaturas mais que a si mesmo; é a um só tempo, juiz e escravo na sua própria causa.
   O dever é o mais belo galardão da razão; ele nasce dela, como o filho nasce da mãe. O homem deve amar o dever, não porque ele o preserve dos males da vida, aos quais a humanidade não pode subtrair‑se, mas porque ele transmite à alma o vigor necessário ao seu desenvolvimento.
   O dever se engrandece e esplende, sob uma forma sempre mais elevada, em cada uma das etapas superiores da humanidade. A obrigação moral da criatura para com Deus jamais cessa, porque ela deve refletir as virtudes do Eterno, que não aceita um esboço imperfeito, mas deseja que a grandeza da sua obra resplandeça aos seus olhos.

                                  Extraido de "O Evangelho segundo o Espiritismo", Cap. XVII 

Pensamento do dia: " Nós só amamos, usando aquilo que já existe dentro de nós"

domingo, 13 de março de 2011

ALMA GÊMEA

            O romance "Há 2000 anos", ditado por Emmanuel, através da psicografia de Francisco Cândido Xavier, vem nos brindar com uma das mais belas páginas da literatura espírita. O trecho reproduzido abaixo, tirado da obra do mesmo nome, mostra o conflito interno de Públius Lentulus(Emmanuel), então senador de Roma, em missão na Palestina, à epoca de Jesus. O diálogo reproduzido abaixo, mostra o  coração grandioso e o amor dedicado a ele por sua esposa Lívia, que há algum tempo se tornara seguidora de Jesus, mas que amava, acima de tudo, o seu marido...

   Publius Lentulus, tomando a mão da companheira, como se buscasse um bálsamo para a alma ferida, sussurrou-lhe de mansinho:
- Lívia, és tudo que me resta neste mundo!... Nossos filhos são flores da tua alma, que os deuses nos deram para minha alegria!... Perdoa-me, querida... Há quanto tempo tenho vivido absorto e taciturno, esquecendo o teu coração sensível e carinhoso! Parece-me estar despertando agora de um sono muito doloroso e muito profundo, mas despertando com a alma receosa e oprimida. Andam-me, no íntimo, amargurados vaticínios... Temo perder-te, quando quisera encerrar-te no peito, guardando-te no coração
eternamente... Perdoa-me...
Enquanto ela o contemplava, surpresa, seus lábios sequiosos lhe cobriam as mãos de beijos ardentes. E não foram apenas os ósculos afetuosos que brotaram nesse transbordamento de carinhos. Uma lágrima lhe gotejou dos olhos cansados, misturando-se às flores da sua afeição.
- Que é isso, Públius? Choras?  exclamou Lívia, enternecida e angustiada.
- Sim! Sinto os gênios do mal cercando- me o coração e a mente. Meu íntimo está povoado de visões sombrias, prenunciando o fim da nossa felicidade; mas eu sou um homem e sou forte... Querida, não me negues a tua mão para atravessarmos juntos o caminho da vida, porque, contigo, vencerei o próprio impossível!...
Ela estremeceu em face dessas observações, que não lhe eram familiares.
Num relance, tomando ligeiramente as mãos do esposo, levou-o a um canto do terraço, onde se postou à frente de uma harpa harmoniosa e antiga, cantando baixinho, como se a sua voz, naquela noite, fosse o gorjeio de uma cotovia apunhalada:

"Alma gêmea de minh’alma,
Flor de luz da minha vida,
Sublime estrela caída
Das belezas da amplidão!...

       Quando eu errava no mundo
       Triste e só, no meu caminho,
      Chegaste devagarinho,
      E encheste-me o coração.

Vinhas na bênção dos deuses,
Na divina claridade,
Tecer-me a felicidade,
Em sorrisos de esplendor!...

        És meu tesouro infinito,
       Juro-te eterna aliança,
       Porque eu sou tua esperança,
       Como és todo o meu amor!"(*)

                 (*) Extraido do livro Há 2000 anos, psicografia de Francisco Cândido Xavier

Pensamento do dia: " Doar-se é um ato de amor que, sabiamente, se divide em bênçãos de paz e alegria para com os outros, e é capaz de multiplicar a verdadeira felicidade" (Emmanuel)

quinta-feira, 10 de março de 2011


NEM TUDO ESTARÁ PERDIDO...



     
·       Enquanto existir alguém fazendo aquilo que ama;
·       Enquanto alguém estiver fazendo coisas maravilhosas para si e para os outros;
·       Enquanto alguém amar a si mesmo e a todos que estão ao seu redor;
·       Enquanto num cantinho do Universo estiver alguém rezando;
·       Enquanto almas poéticas compuserem uma canção;
·       Enquanto, num tom suave, alguém cantar;
·       Enquanto existir alguém desejando o bem;
·       Enquanto existirem pessoas lutando por algo em que acreditam;
·       Enquanto alguém acreditar na força maior do amor;
·       Enquanto pessoas lutarem por justiça;
·       Enquanto pessoas existirem, dando-se as mãos;
·       Nem tudo estará perdido enquanto existir alguém capaz de confessar que sabe realmente amar.
                                              Autoria desconhecida

Para refletir e aplicar: "Senhor, quando me concederes aquilo de que eu mais preciso, ensina-me a usar a Tua concessão, não só em meu proveito, mas em benefício dos outros, a fim de que eu seja feliz com a Tua dádiva sem prejudicar a ninguém" (André Luiz)

terça-feira, 8 de março de 2011

VERDADE E FALSIDADE

Por volta do ano 250 a.C., na China antiga, um certo príncipe da região de Thing-Zda, norte do país, estava as vésperas de ser coroado imperador, mas, de acordo com a lei, ele deveria se casar. Sabendo disso, ele resolveu fazer uma "disputa" entre as moças da corte ou quem quer que se achasse digna de sua auspiciosa proposta.
No dia seguinte, o príncipe anunciou que receberia numa celebração especial, todas as pretendentes e lançaria um desafio.
Uma velha senhora, serva do palácio há muitos anos, ouvindo os comentários sobre os preparativos, sentiu uma leve tristeza, pois sabia que sua jovem filha nutria um sentimento de profundo amor pelo príncipe.
Ao chegar em casa e relatar o fato à jovem, espantou-se ao ouvir que ela pretendia ir a celebração, e indagou incrédula:
- Minha filha, o que achas que fará lá? Estarão presentes todas as mais belas e ricas moças da corte. Tire esta idéia insensata da cabeça, eu sei que você deve estar sofrendo, mas não torne o sofrimento uma loucura.
E a filha respondeu:
- Não querida mãe, não estou sofrendo e muito menos louca, eu sei que jamais poderei ser a escolhida, mas é minha oportunidade de ficar, pelo menos alguns momentos, perto do príncipe, isto já me torna feliz, pois sei que meu destino é outro.

À noite, a jovem chegou ao palácio. Lá estavam, de fato, todas as mais belas moças, com as mais belas roupas, com as mais belas jóias e com as mais determinadas intenções. Então, finalmente, o príncipe anunciou o desafio:
- Darei, para cada uma de vocês, uma semente. Aquela que, dentro de seis meses, me trouxer a mais bela flor, será escolhida minha esposa e futura imperatriz da China.
A proposta do príncipe não fugiu às profundas tradições daquele povo, que valorizavam muito a especialidade de "cultivar" algo, sejam costumes, amizades, relacionamentos etc...
O tempo passou e a doce jovem, como não tinha muita habilidade nas artes da jardinagem, cuidava com muita paciência e ternura, pois sabia que se a beleza das flores surgisse na mesma extensão de seu amor, ela não precisava se preocupar com o resultado.
Passaram-se três meses e nada surgiu. A jovem de tudo tentara, usara de todos os métodos que conhecia, mas nada havia nascido e dia a dia ela percebia cada vez mais longe o seu sonho, mas cada vez mais profundo o seu amor.
Por fim, os seis meses haviam passado e nada ela havia cultivado, e, consciente do seu esforço e dedicação comunicou à sua mãe que, independente das circunstancias, retornaria ao palácio, na data e hora combinadas, pois não pretendia nada além do que mais alguns momentos na companhia do príncipe.
Na hora marcada estava lá, com seu vaso vazio, bem como, todas as pretendentes, cada uma com uma flor mais bela do que a outra, de todas as mais variadas formas e cores. Ela estava absorta, nunca havia presenciado tão bela cena. E, finalmente, chega o momento esperado, o príncipe chega e observa cada uma das pretendentes com muito cuidado e atenção e após passar por todas, uma a uma, ele anuncia o resultado e indica a bela jovem como sua futura esposa.
As pessoas presentes tiveram as mais inusitadas reações, ninguém compreendeu porque ele havia escolhido justamente aquela que nada havia cultivado, então, calmamente ele esclareceu:
- Esta foi a única que cultivou a flor que a tornou digna de se tornar uma imperatriz, a flor da honestidade, pois todas as sementes que entreguei eram estéreis.
"Qual é a diferença especial entre a verdade e a falsidade?”
A vitória da falsidade é de curta duração. Por quê?
A derrota da verdade é de curta duração, mas, a sua vitória é para sempre.
Aqueles que tem vitória de curta duração através da falsidade, num momento experimentam felicidade, entretanto, quando a hora chega e aquele curto período de duração da falsidade termina, tais seres que experimentavam sucesso sob a influencia da falsidade, de acordo com isso, tem que se arrepender cem vezes quando a vitória da verdade acontece.

Pensamento do dia: "A melhor maneira de sermos enganados é julgar que somos mais espertos do que os outros"(La Rochefoucauld).

domingo, 6 de março de 2011

A LENDA DAS TRÊS ÁRVORES



Havia no alto de uma montanha, há muitos e muitos anos, três árvores que sonhavam o que seriam depois de grandes.
A primeira, olhando as estrelas disse:
      - Eu quero ser o baú mais precioso do mundo, cheio de tesouros.
A segunda, olhando o riacho suspirou:
            - Eu quero ser um navio grande para transportar reis e rainhas.
A terceira olhou para o vale e disse:
            - Quero ficar aqui no alto da montanha e crescer tanto que as pessoas, ao olharem para mim, levantem os olhos e pensem em Deus.
Muitos anos se passaram e, certo dia, três lenhadores cortaram as árvores. Todas três ansiosas em serem transformadas naquilo que sonhavam. Mas, os lenhadores não costumavam ouvir ou entender de sonhos... Que pena!
A primeira árvore acabou sendo transformada em um cocho de animais, coberto de feno.
A segunda virou um simples barco de pesca, carregando pessoas e peixes todos os dias.
A terceira, foi cortada em grossas vigas e colocada num depósito.
Então, todas perguntaram desiludidas e tristes:
            - Por que isto aconteceu conosco?
Mas, numa bela noite, cheia de luz e estrelas, uma jovem mulher colocou seu bebê recém-nascido naquele cocho de animais. E de repente, a primeira árvore percebeu que continha o maior tesouro do mundo.
A segunda árvore acabou transportando um homem que terminou dormindo no barco, mas quando a tempestade quase afundou a embarcação, o homem levantou-se e disse ao mar que se acalmasse. E num relance, a segunda árvore entendeu que estava transportando o rei do céu e da terra!
Tempos mais tarde, numa sexta-feira, a terceira árvore espantou-se quando suas vigas foram unidas em forma de cruz e um homem foi pregado nela. Logo, sentiu-se horrível e cruel. Mas, no domingo seguinte, o mundo vibrou de alegria. E a terceira árvore percebeu que nela havia sido pregado um homem para salvação da Humanidade e que as pessoas sempre se lembrariam de DEUS e de seu FILHO ao olharem para ela.
As árvores haviam tido sonhos e desejos, mas, sua realização foi mil vezes maior do que haviam imaginado.
       Portanto, nunca deixe de acreditar em seus sonhos, mesmo que aparentemente eles sejam impossíveis de se realizar.
                                                                                                          Autor desconhecido

Pensamento do dia: "Há pessoas que choram por saber que as rosas têm espinhos;    outras sorriem de alegria por saber que apesar dos espinhos têm rosas" (Confúcio)

sexta-feira, 4 de março de 2011


SER JOVEM



*    Ser jovem é ser forte de caráter, sereno no impulso, fiel amigo do estudo e do trabalho.
*    Ser jovem não é se deter na beleza da forma que brilha e passa. Mas sim, cultuar os encantos da vida interior nos elevados sentimentos que plasmam as obras que nunca envelhecem.
*   Ser jovem é jamais imaginar que mocidade é sinônimo de desequilibrio.
*  Ser jovem não é proceder como o potro irrequieto dos impulsos indomados.
*   Ser jovem não é protestar contra o mundo e as coisas do mundo, ao contrário, é cooperar com o mundo feliz do amanhã, começando pela reforma íntima de si mesmo.
*   Ser jovem não é exibir-se na passarela das ilusões de um dia e nem ostentar medalhas de torneios competitivos do mundo.
*   Ser jovem não é mostrar rosto jovem, mas sim, ter atitudes que dignificam a família e a sociedade em que vive.
*   Ser jovem é poder mirar-se no espelho da consciência, sem dela se envergonhar.
* Ser jovem é manter-se na linha socrática do auto-conhecimento, que gera o auto-contrôle das emoções.
*   Ser jovem é viver em harmonia com Deus, com a natureza e com os homens.
*  Ser jovem, enfim, é ser homem, na lídima expressão do vocábulo; é ser eminentemente racional, consciente e responsável.
                                                                          Jerônimo Mendonça

Pensamento do dia: " Não adianta saber...é preciso fazer alguma coisa com o que sabe. As pessoas valem não pelo que sabem, mas, pelo que fazem com aquilo que sabem"

terça-feira, 1 de março de 2011


A AÇÃO MAIS IMPORTANTE


Um dia, um advogado famoso foi entrevistado. Entre tantas questões, lhe perguntaram o que de mais importante fizera em sua vida.
No momento, ele falou a respeito do seu trabalho com celebridades. 
Mais tarde, penetrando as profundezas de suas recordações, relatou:
O mais importante que já fiz em minha vida ocorreu no dia 8 de outubro de 1990.
Estava jogando golfe com um ex-colega e amigo que há muito não via.
Conversávamos a respeito do que acontecia na vida de cada um. Ele contou-me que sua esposa acabara de ter um bebê.
Estávamos ainda jogando, quando o pai do meu amigo chegou e lhe disse que o bebê tivera um problema respiratório e fora levado às pressas ao hospital.
Apressado, largando tudo, meu amigo entrou no carro de seu pai e se foi.
Fiquei ali, sem saber o que deveria fazer. Seguir meu amigo ao hospital? Mas eu não poderia auxiliar em nada a criança, que estaria muito bem cuidada por médicos e enfermeiras.
Nada havia que eu pudesse fazer para mudar a situação.
Ir até o hospital e oferecer meu apoio moral? Talvez. Contudo, tanto meu amigo, como a sua esposa, tinham famílias numerosas.
Sem dúvida, eles estariam rodeados de familiares e de muitos amigos a lhes oferecer apoio e conforto, acontecesse o que fosse.
A única coisa que eu iria fazer no hospital era atrapalhar. Decidi que iria para minha casa.
Quando dei a partida no carro, percebi que o meu amigo havia deixado o seu veículo aberto. E com as chaves na ignição, estacionado junto às quadras de tênis.
Decidi, então, fechar o seu carro e levar as chaves até o hospital.
Como imaginara, a sala de espera estava repleta de familiares. Entrei sem fazer ruído e fiquei parado à porta.
Não sabia se deveria entregar as chaves ou conversar com meu amigo.
Nisso, um médico chegou, se aproximou do casal e comunicou a morte do bebê. Eles se abraçaram, chorando.
O médico lhes perguntou se desejariam ficar alguns instantes com a criança.
Eles ficaram de pé e se encaminharam para a porta. Ao me verem, aquela mãe me abraçou e começou a chorar.
Meu amigo se refugiou em meus braços e me disse: “Muito obrigado por estar aqui!”
Durante o resto da manhã, fiquei sentado na sala de emergências do hospital, vendo meu amigo e sua esposa segurando seu bebê, e se despedindo dele.
Isso foi o mais importante que já fiz na minha vida!

A vida pode mudar em um instante.
Podemos fazer planos e imaginar nosso futuro. Mas ao acordarmos pela manhã, esquecemos que esse futuro pode se alterar em um piscar de olhos.
       Esquecemos que podemos perder o emprego, sofrer uma doença, cruzar com um motorista embriagado e outras mil coisas. Por isso, entre as tantas coisas que nos tomam as horas todos os dias, não esqueçamos de eleger um tempo para umas férias, passar um dia festivo com a família.
Uma hora para estar com as crianças, ler para elas, participar de uma festa na escola.
E, naturalmente, guardar um tempo para cultivar amizades.

                                            Equipe de Redação do Momento Espírita


Pensamento do dia: "As mais lindas coisas da vida não podem ser vistas, nem tocadas, mas sim, sentidas pelo coração."